
Há sinais de mudanças no panorama da eleição presidencial. Flávio Bolsonaro perde fôlego na disputa pela liderança nas pesquisas com Lula, que há meses não consegue sair do patamar de 40% das intenções de voto para o primeiro turno.
O declínio do candidato do Partido Liberal é lento, gradual, mas persistente. É o que mostram pesquisas da AtlasIntel/Bloomberg e Nexus/BTG divulgadas nesta segunda-feira (31/8).
Começou em maio, quando ele confessou ter pedido 134 milhões de reais ao antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso por fraudes financeiras bilionárias.
Na época, Flávio Bolsonaro admitiu ter recebido 61 milhões de reais, supostamente para financiar a cinebiografia do seu pai, Jair Bolsonaro, que está condenado a 27 anos de prisão por crimes contra a Constituição, entre eles tentativa de golpe de estado.
Em abril, Flávio Bolsonaro estava (com 39%) cinco pontos atrás de Lula (44%) na sondagem AtlasIntel/Bloomberg.
No levantamento encerrado no último domingo, a desvantagem dele (com 33,7%) aumentou para nove pontos em relação a Lula (43,4%).
A queda também foi retratada na pesquisa Nexus/BTG, onde o candidato do PL (33%) aparece com seis pontos abaixo de Lula (39%). Cinco meses atrás, a diferença era de três pontos.
Essas oscilações são relevantes porque Lula e Flávio Bolsonaro lideram as pesquisas de intenção de voto, mas metade dos eleitores diz rejeitá-los, declarando que não vota neles “de jeito nenhum”.
É situação inédita, pode ser vista como indicativa de uma disputa apertada. E, nesse caso, tornam-se relevantes quaisquer indícios de declínio de um candidato na disputa pela liderança.
Em paralelo, as pesquisas mostram a novidade de um abrupto crescimento de Augusto Cury, candidato presidencial do Avante. Ele atropelou os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Cury saltou de 2% para 11% na preferência, informa Nexus/BTG. Passou de 3% para 7,8%, segundo a AtlasIntel/Bloomberg.
As próximas pesquisas, a partir de amanhã, devem esclarecer se a ascensão de Cury é episódica ou se configura realmente nova tendência para o primeiro turno da eleição que vai acontecer dentro de quatro semanas.