
O candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, criticou nesta terça-feira (8) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao defender mais investimentos em ciência, tecnologia e industrialização no Brasil. As declarações foram dadas durante visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, no interior de São Paulo.
Ao ser questionado sobre sua política para a área caso seja eleito, Caiado afirmou que Lula está “atrasado no mínimo 100 anos” em relação aos avanços científicos e tecnológicos e disse que Flávio “não tem noção do Brasil”.
“O Lula está atrasado no mínimo 100 anos. Então o prejuízo que está dando ao futuro do Brasil é muito grande. E, ao mesmo tempo, o Flávio não tem conhecimento disso. Ele não tem noção do Brasil. Como é que vai governar o país?”, afirmou.
Caiado também disse que o governo petista "foi entreguista" com os recursos do país. "O governo do PT foi entreguista, foi um governo que se caracterizou como um governo colônia. Ele nunca desenvolveu a tecnologia. Quem desenvolveu a tecnologia nesse país somos nós, no estado [de Goiás]", completou.
Na avaliação de Caiado, a política científica e tecnológica deveria estar ligada à industrialização e à capacidade de o país transformar seus recursos naturais em produtos de maior valor agregado.
O candidato citou como exemplo as terras raras, minerais estratégicos utilizados em produtos como motores elétricos, turbinas, baterias e equipamentos eletrônicos. Caiado criticou o que considera uma dependência brasileira da exportação de matéria-prima sem processamento.
“Ele é vendedor de matéria bruta”, afirmou o candidato, ao se referir ao governo Lula. Segundo Caiado, o país deveria atrair investimentos e tecnologia para realizar internamente etapas como a produção de compostos, ligas, ímãs, semicondutores e turbinas.
A defesa de Caiado pela industrialização da cadeia de terras raras tem relação com uma política adotada durante sua gestão em Goiás. O estado possui a mina Serra Verde, em Minaçu, no norte goiano, atualmente a única operação comercial de terras raras em larga escala no Brasil. A produção, porém, ainda é concentrada na extração, e a matéria-prima é enviada à China para etapas posteriores de processamento.
Durante o governo Caiado, Goiás passou a atrair investimentos estrangeiros e acordos tecnológicos para avançar nessa cadeia. Em 2025, o governo negociou com o Japão a exploração e o processamento de terras raras. A estratégia anunciada era deixar de exportar apenas o concentrado e realizar no estado etapas de maior valor agregado.
Em 2026, o governo goiano também avançou em negociações com os Estados Unidos para desenvolver capacidades de processamento e fabricação, incluindo separação de terras raras, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes.
No plano de governo apresentado para a eleição presidencial, Caiado também formalizou uma agenda específica para ciência, tecnologia e inovação. O documento estabelece como objetivo ampliar de forma consistente os investimentos públicos e privados em pesquisa, desenvolvimento e inovação e prevê estabilidade para o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com execução plurianual e proteção contra contingenciamentos.
Entre as propostas estão elevar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para 2% do PIB, ampliar a participação privada nos gastos de P&D e garantir a execução plurianual do FNDCT. O plano também prevê modernização da Lei do Bem, incentivo à cooperação entre universidades e empresas e políticas para data centers e inteligência artificial.
Durante a visita ao CNPEM, Caiado conheceu o Sirius, acelerador de partículas usado em pesquisas científicas, e voltou a defender o aumento dos investimentos no setor.