Segunda, 05 de Outubro de 2026

Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o 2º turno das eleições presidenciais

Nenhum dos candidatos alcançou mais da metade dos votos válidos neste domingo (4); segundo turno está marcado para 25 de outubro

05/10/2026 às 09h38
Por: Redação Fonte: R7 Notícias
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Montagem - Ricardo Stuckert/Campanha Lula e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro
Montagem - Ricardo Stuckert/Campanha Lula e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, e Flávio Bolsonaro (PL), 45 anos, vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais em 2026.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, realizado neste domingo (4).

 

Com quase 100% das urnas apuradas, Flávio alcançou ao menos 56.103.698 votos (47,03%), enquanto Lula obteve no mínimo 53.875.358 votos (45,16%), resultando em uma diferença de só 2.228.340 votos (1,87 ponto percentual).

Para vencer a disputa presidencial no primeiro turno, um candidato precisava receber mais da metade dos votos válidos — aqueles em que são excluídos os votos brancos e nulos.

 

Como ninguém atingiu esse percentual, Lula e Flávio voltam a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro, último domingo do mês.

O resultado leva para o segundo turno uma disputa que colocou frente a frente Lula, que tenta chegar ao quarto mandato, e o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que concorre pela primeira vez ao Palácio do Planalto.

O cenário também confirmou a tendência das pesquisas divulgadas na reta final da campanha, que apontavam uma disputa apertada entre os dois.

Na última pesquisa do Real Time Big Data, Lula aparecia com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno, o senador tinha 46% e o presidente, 45%, configurando empate técnico.

Outros institutos também mostravam equilíbrio em um eventual confronto direto entre os dois, indicando que a disputa pela Presidência poderia permanecer indefinida até o segundo turno.

Como foram as campanhas

Lula e Flávio adotaram estratégias diferentes durante o primeiro turno, mas estiveram entre os candidatos que mais percorreram o país.

No primeiro mês da campanha oficial, entre 16 de agosto e 16 de setembro, os dois passaram pelo maior número de estados entre os presidenciáveis: 11 unidades da Federação cada um.

Lula conciliou as agendas de candidato com os compromissos como presidente da República e concentrou parte da estratégia em associar a campanha às entregas do terceiro mandato.

O petista apostou em temas como o fim da escala 6x1, redução da jornada para 40 horas semanais sem redução salarial, manutenção e ampliação de programas sociais, combate à violência contra a mulher e maior tributação sobre pessoas de alta renda.

Na reta final, Lula intensificou ainda o discurso contra as bets. Em 25 de setembro, anunciou medidas para proibir a exploração e a publicidade de apostas esportivas e jogos online no Brasil.

Flávio apostou mais em mobilizações de rua, com carreatas, motocarreatas e atos ao lado de aliados. São Paulo e Rio de Janeiro receberam atenção especial da campanha, mas Minas Gerais também ganhou espaço na reta final.

O candidato do PL ainda fez um giro pelo Norte, com passagens por Amazonas, Pará e Roraima, e realizou agendas no Nordeste, Sul e Centro-Oeste.

A segurança pública esteve entre as principais bandeiras da candidatura. No plano de governo apresentado ao TSE, Flávio propôs classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas, reduzir a maioridade penal para 16 anos e construir novos presídios federais.

Na economia, defendeu a redução do tamanho do Estado, com corte de pelo menos dez ministérios e de cargos comissionados, além de uma reforma administrativa, medidas contra supersalários e retomada de privatizações.

Apesar de concentrarem a maior parte das intenções de voto durante a campanha, Lula e Flávio chegaram ao fim do primeiro turno sem se enfrentar diretamente em um debate eleitoral.

Lula optou por não participar dos encontros entre presidenciáveis e priorizou entrevistas e sabatinas. Flávio não participou do primeiro debate, e outros encontros acabaram cancelados diante da ausência dos dois principais candidatos.

Na reta final, Flávio chegou a confirmar presença no último debate na televisão, mas desistiu. A emissora que iria promover o encontro posteriormente cancelou o programa.

Com isso, pela primeira vez em 20 anos, os dois candidatos que lideravam as pesquisas chegaram ao fim do primeiro turno sem um confronto direto em debates na televisão.

Quem são os candidatos

Lula disputa a Presidência pela sétima vez. Nascido em Garanhuns, no interior de Pernambuco, o petista foi torneiro mecânico e líder sindical antes de entrar para a política.

Em 1980, esteve entre os fundadores do PT e, seis anos depois, foi eleito deputado federal por São Paulo. Participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.

Lula disputou pela primeira vez a Presidência em 1989, quando perdeu para Fernando Collor de Mello no segundo turno. Voltou a concorrer em 1994 e 1998, sendo derrotado nas duas ocasiões por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Foi eleito presidente pela primeira vez em 2002 e reeleito em 2006. Após deixar o Planalto, foi condenado no âmbito da Operação Lava Jato e ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019. Em 2021, o STF (Supremo Tribunal Federal) anulou as condenações ao entender que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os processos.

Com os direitos políticos restabelecidos, Lula voltou a disputar a Presidência em 2022 e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno. Em 2026, tenta conquistar o quarto mandato, novamente ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Flávio Bolsonaro é advogado e filho mais velho de Jair Bolsonaro. Nasceu em Resende, no Rio de Janeiro. Esta é a primeira vez que disputa a Presidência da República. Seu candidato a vice é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).

Entrou na política aos 21 anos e exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Em 2016, disputou a Prefeitura do Rio, mas ficou fora do segundo turno.

Em 2018, foi eleito senador pelo Rio com mais de 4,3 milhões de votos. No Senado, concentrou parte da atuação em segurança pública e no endurecimento da legislação penal. Foi relator da proposta que restringiu as saídas temporárias de presos e, em 2025, assumiu a presidência da Comissão de Segurança Pública.

A trajetória de Flávio também foi marcada pela investigação sobre a suspeita de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Em 2020, o Ministério Público do Rio denunciou Flávio, o ex-assessor Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas. O senador sempre negou as acusações. A denúncia não resultou em condenação, e decisões judiciais posteriores anularam provas utilizadas na investigação. O caso acabou arquivado.

Em 2026, Flávio passou a ser investigado no caso relacionado ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou sua inclusão em um inquérito da Polícia Federal que apura o financiamento da produção. Flávio nega ter cometido irregularidades.

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