
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou os Emirados Árabes Unidos no domingo (28) e reuniu-se com o presidente do país, Sheikh Mohammed bin Zayed; ambos os países confirmaram a informação na segunda-feira (28).
Uma fonte israelense a par da visita disse no domingo (27), que a reunião — que não havia sido anunciada — foi dominada por discussões sobre o Irã, um cenário no qual os dois países têm aprofundado sua cooperação, inclusive durante o atual conflito envolvendo o país.
A WAM, agência de notícias estatal dos Emirados Árabes Unidos, confirmou que o Sheikh Mohammed e Netanyahu realizaram uma reunião no país no domingo.
Os dois líderes "discutiram as relações bilaterais entre os Emirados Árabes Unidos e Israel e formas de fortalecê-las e desenvolvê-las ainda mais", informou a WAM.
O gabinete do primeiro-ministro de Israel informou que a reunião concentrou-se no "fortalecimento das relações entre os dois países e em desafios regionais".
A comitiva incluiu a esposa de Netanyahu, o chefe do Conselho de Segurança Nacional, o chefe do Mossad, um secretário militar e um assessor político, segundo o gabinete.
Essa viagem incomum ocorre exatamente um mês antes das eleições israelenses de 27 de outubro e em meio a uma crescente polêmica política em Israel, motivada por reportagens do "Haaretz" e do "The New York Times" que alegam que o Sheikh Mohammed havia alertado Netanyahu sobre uma grande operação do Hamas dias antes do ataque de 7 de outubro de 2023.
Separadamente, a revista "The Atlantic" noticiou que o chefe de inteligência do Egito, Abbas Kamel, viajou a Israel em 26 de setembro de 2023 para alertar que a situação em Gaza iria "explodir".
Além disso, no domingo, o "The Wall Street Journal" informou que houve pelo menos três alertas egípcios transmitidos a Israel sobre Gaza — o último deles em um telefonema para Netanyahu, poucos dias antes do ataque.
Netanyahu negou repetidamente ter recebido qualquer aviso e descartou as reportagens como mentiras fabricadas, destinadas a prejudicá-lo eleitoralmente.
“Nunca me encontrei nem falei com o chefe de inteligência do Egito antes de 7 de outubro; nenhum alerta me foi transmitido”, publicou o primeiro-ministro no X na segunda-feira (28). “Estados e atores estrangeiros e hostis, incluindo Estados árabes, estão por trás das falsas acusações de crimes de sangue.”
No entanto, seus rivais utilizaram as alegações para transformar a responsabilização pela falha em impedir o ataque de 7 de outubro de 2023 em um tema central da campanha.
Após relatos iniciais sobre um alerta do Sheikh Mohammed, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou, no início deste mês, que "não comenta notícias da imprensa ou especulações sobre conversas entre líderes governamentais", mas não negou a realização da ligação. "Quando necessário, todas as informações de inteligência pertinentes foram e continuam sendo comunicadas entre as entidades competentes", dizia o comunicado.
Na ocasião, uma fonte israelense a par do assunto afirmou que o gabinete de Netanyahu tentou fazer com que os Emirados Árabes Unidos negassem a notícia, mas o país concordou apenas em emitir um comunicado sobre o compartilhamento de informações de inteligência.
O partido Likud, de Netanyahu, divulgou posteriormente um comunicado — publicado na conta do primeiro-ministro no X — alegando uma "interferência estrangeira flagrante" nas eleições de Israel por parte do político palestino Mohammed Dahlan, radicado nos Emirados Árabes Unidos.
O partido não apresentou provas da alegação.
Nem Israel nem os Emirados Árabes Unidos mencionaram o suposto alerta de 7 de outubro em suas declarações de segunda-feira sobre a viagem de Netanyahu.
Enquanto isso, os rivais de Netanyahu aproveitaram o suposto alerta para retomar as críticas à forma como ele lidou com os acontecimentos que antecederam o dia 7 de outubro.
Gadi Eizenkot, apontado pelas pesquisas como o principal adversário do primeiro-ministro nas próximas eleições em Israel, afirmou no sábado (26) que a revelação sobre o alerta "não deixa margem para dúvidas: Netanyahu conduziu o Estado de Israel — com cegueira, arrogância e irresponsabilidade — ao maior desastre de sua história".
Em maio, o gabinete de Netanyahu informou que o premiê havia visitado secretamente os Emirados Árabes Unidos em março — durante o início da guerra com o Irã —, classificando o episódio como um "avanço histórico".
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados negou a afirmação na ocasião, descrevendo-a como "completamente infundada".
Relata-se também que, durante a guerra, Israel implantou o sistema de defesa antimísseis "Domo de Ferro" nos Emirados Árabes Unidos, e autoridades israelenses afirmaram que a cooperação em segurança entre os dois países atingiu níveis sem precedentes.
A viagem deste domingo (27) foi a primeira visita de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos reconhecida publicamente.