Quarta, 30 de Setembro de 2026

Messi começa ‘turnê de despedida’ da seleção para eternizar status como maior ídolo desde Maradona

Craque dá adeus à Argentina com exibição tripla ‘em casa’, recordes difíceis de bater e legado inigualável

30/09/2026 às 09h30
Por: Redação Fonte: Estadão
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Enzo Fernández tende a ser uma das novas lideranças da Argentina sem Messi. Foto: Werther Santana/Estadão
Enzo Fernández tende a ser uma das novas lideranças da Argentina sem Messi. Foto: Werther Santana/Estadão

Lionel Messi inicia nesta quarta-feira a sua “turnê de despedida” da seleção argentina. Aos 39 anos, o camisa 10 tem pela frente três amistosos na Argentina para dizer adeus, após o vice da Copa do Mundo na América do Norte. A aposentadoria da equipe nacional tira de campo o maior ídolo do país desde Diego Maradona.

 

A primeira apresentação da turnê será em Córdoba, no Estádio Mario Alberto Kempes, diante da Bolívia. No sábado, dia 3, o adversário será Burkina Faso, no Monumental de Núñez. O estádio do River Plate será também o palco do último jogo, contra Benin, no dia 6. Uma camisa exclusiva foi lançada pela Adidas para a terceira partida da série.

 

O anúncio de que Messi se aposentaria da seleção veio no fim de agosto, pouco mais de um mês após a final perdida para a Espanha. “Não resta muito tempo, e capítulos diferentes estão chegando ao fim. Este é um que me dói muito. Eu amo, amei e sempre vou amar fazer parte da seleção nacional. Dei tudo o que tinha, e não tenho mais nada a dar”, escreveu Messi.

Pela seleção argentina, o craque acumulou recordes que serão difíceis de serem quebrados. Ele é o artilheiro, com 114 gols, e jogador com mais partidas, com 207. O segundo com mais gols é Gabriel Batistuta (54). Já o vice em jogos é Javier Mascherano (147).

Na Copa do Mundo, Messi chegou a quebrar o recorde de maior artilheiro do torneio, mas acabou, na mesma edição, superado por Kylian Mbappé. O francês soma 22 gols contra 21 do argentino e ainda deve disputar mais Mundiais pela frente.

Independentemente dos números individuais, Messi levou a Argentina a três finais de Copa do Mundo (2014, 2022 e 2026). O auge foi na segunda delas, no Catar, com o tricampeonato e o título que não vinha desde 1986, ainda com Maradona.

“Saio em paz e com orgulho, sabendo que, junto com meus companheiros de equipe, demos a vocês momentos que um dia sonhamos”, disse o camisa 10 no anúncio de aposentadoria da seleção.

 

‘Há grandes jovens surgindo’, diz Messi sobre nova geração argentina

Messi continua firme no Inter Miami e, com 931 gols marcados, mira o milésimo. É uma nova disputa com Cristiano Ronaldo, que tem 979, anos após os dois dominarem as brigas pela Bola de Ouro.

Na seleção, diferentes “vazios” se criam sem Messi. O mais difícil de preencher talvez seja técnico, já que não há outro jogador com a sua qualidade. Outro desafio será definir um novo capitão que represente a liderança até então exercida pelo camisa 10.

Messi se despede da seleção argentina e deixa espaço a ser preenchido.
Messi se despede da seleção argentina e deixa espaço a ser preenchido. Foto: Werther Santana/Estadao

Lionel Scaloni definiu que o zagueiro Cuti Romero ostentará a braçadeira nesta Data Fifa. É de se esperar que ela seja repassada a Messi quando ele estiver em campo. “Ele já era o terceiro capitão, depois de Messi e Otamendi”, afirmou Scaloni em entrevista coletiva.

O técnico também citou Dibu Martínez (34 anos), Rodrigo De Paul (32) e Lautaro Martínez (29) como opções. Para o próximo ciclo, entre os três, o atacante é quem mais se aproxima de Messi, como peça importante em campo e liderança. O atacante da Inter de Milão tem 29 gols pela seleção.

Outros que se aproximam do perfil são Enzo Fernández (25 anos) e Giovanni Lo Celso (30). Quando a Argentina utilizou um time reserva, diante da Jordânia, na terceira rodada da fase de grupos da Copa, Lo Celso entrou “no lugar” de Messi. Já o meia contratado pelo Manchester City na última janela de transferências representa um futuro mais longevo.

“Há grandes jovens jogadores surgindo que merecem estar aqui”, disse Messi em anúncio da aposentadoria. A partida contra a Jordânia marcou, no Mundial, a estreia de cinco atletas da Argentina em Copas.

Entre os cinco, três podem representar um futuro longevo para a Argentina: Valentín Barco, de 21 anos, Giuliano Simeone, de 23, e Flaco López, de 25. Já havia, porém, outros talentos que haviam estreado no Mundial. Um deles era o atacante Nico Paz, de 21 anos. O jogador do Como, da Itália, fez parte da sua formação no Real Madrid e chegou a estrear no profissional do clube espanhol, ainda que sem se firmar.

Titular contra a Jordânia, Nico celebrou a oportunidade de estar na seleção com atletas experientes como Messi e Otamendi. “(Aprendemos) muitas coisas sempre nos jogos. E eles falam comigo, me dão muitos conselhos, me dizem para ser eu mesmo, para não ter medo de mostrar como eu jogo. A verdade é que eu agradeço”, disse.

A renovação é silenciosa. A Argentina chegou a ser alvo de questionamentos sobre intensidade para a Copa do Mundo, já que o elenco manteve 17 dos 26 campeões mundiais de 2022.

Scaloni ainda não acertou a renovação na Argentina. Ele nega, portanto, que a convocação de jovens seja um indício de continuidade do seu trabalho. “É o que qualquer técnico faria. O Mundial terminou e acreditamos que é um ótimo momento para mudanças”, falou.

Júlian Alvarez é outro que ainda tem longo destino na seleção. Aos 26 anos, o atacante chegou ao Mundial em rota de colisão com o seu clube, o Atlético de Madrid, na tentativa de ir para o Barcelona. O Mundial do jogador foi abaixo, com destaque para o golaço contra a Suíça. Agora, ele volta a atuar pelo Atlético e deve ganhar espaço na seleção.

 
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